Tratamento reduz risco de fraturas em idosos

Fratura é coisa séria. Quando se trata de pacientes idosos, a situação é ainda mais delicada. Mas é possível minimizar os riscos desses eventos acontecerem. Ortopedista especialista em doenças Osteometabólicas, Ex-Presidente e atual Diretor Científico do Comitê de Doenças Ósseas da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, Dr. Bernardo Stolnicki destaca que as fraturas são consideradas um problema de saúde pública. “Diversos países têm tomado medidas para combater isso”, antecipa.

É justamente esse trabalho de prevenção de fraturas que ele desenvolverá em Londrina a partir de outubro na clínica Uniorte. Carioca, Dr. Bernardo virá semanalmente à cidade para atender pacientes com esse foco. “O importante é identificar os pacientes que poderão ser futuros portadores de fraturas. Quem já teve fratura e tem osteoporose tem maior possibilidade de ter uma nova fratura. Pacientes com osteopenia também estão entre os pacientes de risco”, enumera o especialista, que também é membro da International Osteoporosis Foundation.

Segundo Dr. Bernardo, o tratamento é multidisciplinar. “Identificamos os pacientes propensos a fraturas por meio de uma avaliação detalhada em consulta seguida de exames de laboratório e densitometria óssea. A intervenção é feita com uso de medicamentos específicos, atividade física regular para melhorar o equilíbrio, aconselhamento nutricional com foco na suplementação de cálcio e vitamina D. “A verdade é que é possível evitar o risco de fraturas com esse tratamento. Trato de doenças metabólicas desde 1990. Em 2011, comecei um trabalho no Hospital Federal de Ipanema para tratamento de pacientes com osteoporose que já tinham tido fraturas. Eles são os de maior risco, tratá-los adequadamente reduz a incidência de novas fraturas”, relata.

Ele diz isso baseado em um estudo desenvolvido pela da International Osteoporosis Foundation.  “Esse trabalho gerou um relatório sobre o que se deve fazer na prevenção secundária de fraturas. 60 médicos do mundo todo trabalharam nele, um ano após a pesquisa, foi idealizado o programa Capture the Frature, um painel que traz as boas práticas na prevenção secundária de fraturas. Esse Serviço que eu coordeno no Rio de Janeiro tem a estrela de ouro desse programa, é o único da América Latina com essa estrela, aliás, só 22 Serviços no mundo são considerados estrela de ouro na prevenção de fraturas secundárias”, destaca Dr. Bernardo.

Outro ponto está relacionado à fratura mais complexa: de fêmur. “Ela geralmente envolve idosos e precisa de cirurgia, o que eleva o risco de morte pós cirurgia. Durante este estudo, descobriu-se que a maioria dos pacientes com fratura de fêmur já tinham tido uma fratura prévia, ou seja, fratura antecedente eleva o risco de nova fratura, precisamos atuar nessa frente”, aconselha.

A osteoporose é um dos grandes inimigos dos ossos. Ela os torna frágeis e mais susceptíveis a fraturas. Um dos grandes entraves na luta contra as fraturas é a própria adesão ao tratamento da doença. “Muitos dos medicamentos usados possuem várias regras de horário e forma de ingestão, o que dificulta a adesão. Cerca de 70% dos pacientes não completam um ano sequer de tratamento justamente por isso. Mas hoje já há medicamentos que facilitam essa adesão, há inclusive medicações com aplicação única anual, ou seja, toma uma vez só no ano, isso facilita”, conta o ortopedista.

“As pessoas estão vivendo cada vez mais e por isso tendo mais fraturas. Precisamos atuar na prevenção para minimizar esse problema que prejudica a qualidade de vida do paciente e onera o sistema de saúde”, conclui Dr. Bernardo.